Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real: como escolher o regime tributário

O regime tributário define quanto a empresa paga e quanta burocracia enfrenta. Compare Simples, Lucro Presumido e Lucro Real e veja como decidir em 2026.

Em resumo

  • Simples Nacional: para empresas com receita de até R$ 4,8 milhões, com guia única (DAS) e alíquotas progressivas por anexo.
  • Lucro Presumido: até R$ 78 milhões, com IRPJ e CSLL calculados sobre percentuais presumidos da receita.
  • Lucro Real: obrigatório acima de R$ 78 milhões e para algumas atividades; tributa o lucro efetivo e permite créditos amplos de PIS e Cofins até 2026.
  • A escolha exige simulação com dados reais e deve ser revista todo ano — em 2026, considerando LC 224/2025, Lei 15.270/2025 e a reforma do consumo.

A escolha do regime tributário é uma das decisões com maior impacto financeiro na vida de uma empresa — e uma das mais negligenciadas. Muitas empresas permanecem anos no regime escolhido na abertura, sem verificar se ele continua adequado ao seu porte, margem e perfil de clientes.

Como funciona cada regime?

Simples Nacional (LC 123/2006) – Receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões. – Recolhimento unificado no DAS, com alíquotas efetivas que crescem com o faturamento. – Anexos diferentes por atividade; algumas atividades de serviços dependem do “fator R” (relação entre folha e receita). – Vedado para certas atividades e estruturas societárias.

Lucro Presumido – Receita bruta anual de até R$ 78 milhões, para atividades não obrigadas ao Lucro Real. – IRPJ e CSLL calculados sobre percentuais de presunção da receita (em regra, 8% e 12% para comércio e indústria; 32% para muitos serviços). – PIS e Cofins cumulativos (3,65%), sem créditos. – Desde 2026, a LC 224/2025 aumentou em 10% os percentuais de presunção sobre a parcela da receita anual que excede R$ 5 milhões.

Lucro Real – Obrigatório acima de R$ 78 milhões e para instituições financeiras, empresas com lucros do exterior, entre outras hipóteses. – IRPJ e CSLL sobre o lucro contábil ajustado; prejuízos podem ser compensados (com limite de 30% do lucro por período). – PIS e Cofins não cumulativos (9,25%), com créditos — até a extinção desses tributos em 2027. – Exige contabilidade mais robusta.

Quais fatores definem o melhor regime?

  • Margem de lucro real: empresas com margem baixa ou prejuízo tendem a se beneficiar do Lucro Real; margens altas favorecem o Presumido.
  • Folha de pagamento: relevante para o fator R no Simples e para a contribuição previdenciária.
  • Perfil de clientes: quem vende para empresas do regime regular precisa considerar a transferência de créditos — ainda mais com IBS e CBS.
  • Insumos e créditos: cadeias com muitos insumos se beneficiam da não cumulatividade.
  • Distribuição de lucros: a nova tributação de dividendos e o redutor dependem da carga efetiva da empresa.
  • Custo de conformidade.

Quando revisar o regime?

A opção é feita, em regra, no início de cada ano-calendário (para o Simples, até o último dia útil de janeiro). A revisão deve acontecer no último trimestre do ano anterior, com projeções para o ano seguinte. Mudanças relevantes de faturamento, margem, estrutura de clientes ou legislação justificam uma nova análise.

Como a reforma tributária afeta a escolha?

A partir de 2027, PIS e Cofins dão lugar à CBS, com créditos amplos para empresas no regime regular, independentemente de serem do Presumido ou do Real. Assim, a vantagem dos créditos de PIS/Cofins no Lucro Real deixa de existir na forma atual, e a decisão entre Presumido e Real passa a depender mais da tributação sobre o lucro. Para optantes do Simples, há uma nova escolha sobre IBS e CBS — veja reforma tributária e Simples Nacional.

Perguntas frequentes

Posso mudar de regime no meio do ano?

Em regra, não. A opção vale para o ano-calendário inteiro, salvo exclusões obrigatórias (como ultrapassar limites).

O Simples é sempre o regime mais barato?

Não. Empresas com margens baixas, muitas despesas ou clientes empresariais que demandam crédito podem pagar menos em outro regime.

Quem deve fazer a simulação?

A contabilidade, preferencialmente com apoio tributário especializado, usando dados reais de receita, custos, folha e clientes.

Conteúdo informativo, atualizado em 20 de outubro de 2026. Não substitui a análise jurídica, contábil ou financeira do caso concreto.

Próximo movimento

Se o próximo movimento da sua empresa importa, ele começa com uma conversa.

Trinta minutos costumam bastar para mapear onde a empresa está organizada, onde a gestão está sendo feita no improviso e qual decisão está sendo adiada.